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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ao tempo.

Intermináveis momentos descritos em meu caminho,
inumeras canções com as mesmas lembranças de você,
fragmentos de uma vida que foi junto ao tempo
que cala toda vez que é lembrada em toda prece
ontem ainda sentia o abraço caloroso e infindavel do seu corpo
e a nostalgia habita na alma, como acordes em uma sinfonia,
o ultimo trago de um charuto e o teatro mudo que chora
nos teus braços o meu canto, no teu sorriso o meu encanto
e no teu corpo me acabava em todo o anoitecer vivido,
e ao tempo a esperança de um dia novamente,
amar incondicionalmente simplesmente, bem.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Saudade que mata,
saudade do que nao se vê
saudade da infancia bonita
saudade de quem um dia eu ja fui,
saudade de ouvir a voz da minha mãe,
saudade de ser inocente,
saudade de um dia ter sido criança
saudade das noites bem dormidas
vontade de um dia voltar a ser,
Eu.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Sentar-se aqui.

No banco da praça, o final do dia
a visão mais bela e sublime do sol
raiando de longe, norte a sul de onde
a poesia habita, e o desejo de viver
move o coração que viaja sempre
lembranças de uma vida que morreu
sentenciada a viver na solidão
do que ja foi, do que se viveu,
ontem.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Foi-se então.

Antes de ontem, na ponte de lá
foge a cega, na seta de cá
nascente da fonte, do forte sonhador
que diz, e condiz, sem sentir o que é
mudo o canto, encanto que aqui
é mais forte que ali, e submete o tempo
a morte que mata, e o dia que sorri
no fundo do ego, do erro de mim...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Morte breve.

Valei-me do tempo que outrora foste
em versos lapidados a diurna florescer
foste a fossa parte rispida do meu canto
partiste na ultima estrofe da poesia sem fim

Prostrado-ei de ter ouvidos nus
entrelaçado em veus de cetim claro
na sentença de um conto alvoraçado
nos corredores tortuosos da vida

M'alma sobrevive na penumbra
escuridão total em meu jardim
foste da vida o ultimo suspiro
foste da alma as ultimas caricias...

Fizeste da vida um eterno turbilhão
folhas secas sem vida em meu caminho
condenaste a vida e o corpo cru,
a poesia infinita que habita em mim.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sem dente

Paro um pouco
dou um trago
cheiro rato
o fungo mata
o rosto palido
a rosa murcha
um pouco irritado
dor sem patente
meu cranio sem dente
totalmente transcendente.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Na musica a noite.

A doçura de uma voz, em voz não tece
como um vão que corrompe todo o meu senso
que faz-me apagar junto as cinzas do cigarro
soprar-me em um tom maior do meu sax
a composição que não se nota, que não se toca
a linguagem que não se traduz somente só
nos laços a fita de seda a presa sente e cede
pede com pressa o desejo sem preço sim
o corpo nu desfalecendo na areia a noite
o meu som que ecoa em todas as esferas
como um sopro vindo de uma fera eu grito
e peço somente mais um copo de vinho e um cigarro
um momento sozinho a noite só....

O suplicio do musico poeta, que vaga a noite sem voz,
a sós...

Music-a

O sax-ofone melancolicamente, uma dose de rum
um rim, ruim-ru-im, que toca a minha ensandece
dente-mente todo o meu palido corpo enaltece
uma prece musicavelmente controversa contrai
em mim a força e a loucura de uma nota musical

Jazz!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Um dia qualquer.

Fragil meu coração que na manha de domingo,
chora a solidão de saudade, fraca intolerancia
surdo musico sem voz, que fala dos beijos perdidos
nos labios teus, antes ontem de hoje, não mais amanhã,

Na cama o lencol de cetim, no criado mudo seu perfume
uma pétala de flor que reluz ainda o teu brilho sereno
a toalha no pé da cama, fragmentos de uma noite perdida
ouço ainda tua voz, sinto na canção ainda o abraço teu,

Meus olhos fogem ao tempo, o relogio não cala
sentencia a minha solidão que fraca quer morrer
uma taça de vinho na mesa de ontem,
em prantos entrelaçado ao lencol de cetim,

E o poeta que cala, espera a hora de morrer...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Pacificamente patético.

Sobre o véu o manto sagrado do pobre
Pedaços de papel suado de um dia de luta
Do norte ao oeste de o este que brilha o suor
Da nascente que o Tietê traz ao Arruda no Jordão
Nos campos de concentração do Iraque
Ou nas tordesilhas tortas do arado no Acre
Na cana do norte, ou na seca do sertão...

Conscientizar,

Polemizar a politica patética, nunca desistir de lutar
Crianças crescem sem correr pois sem os pé como viver?
Das rosas de Hiroshima, dos campos gelados da Austria
Da estupidez da vida, na viúva sentença cirrose
Uma taça de vinho tinto na mesa de um americano burguês
Uma lágrima do norte, de um olho cego cansado de ver
De um estomâgo que dói, que pede socorro e grita com fome...

Nova vida usada.

Onde o tempo vem, é o caminho do vento que vai
Da fonte que nasce, no rio que desce a encontro de
Ao poço fundo de aguas sujas do pobre que bebe
As raizes contaminadas pelo medo e a solidao do abandono
Sobre o tempo, aqui parado em declinio amargo ao desejo futil

A memoria do adeus, choro e tristeza na carta ante-ontem
Sorrir, sinonimo de alegria que contagia e agita minha mente
Falar vida, de posse da morte febril no meu texto final da peça
Que parte sem nenhum ator principal, sem nenhum enredo no folhetim
Minhas maos prostradas, um caco de vidro no peito e nao é um em canto

Vendo eu a vida ali na minha cadeirinha de balanço que vai e vem
Memorias de um sono mal dormido, ou um devaneio sem fim
Eu em minha vida mal acordada, ou bem dormida, ou mal começada
Tecendo os tercetos, fazendo de tudo da minha vida um texto
Trazendo com a vida uns versos, sem nenhuma nota musical.